MEU FILHO TEM DIABETES, O QUE POSSO FAZER PARA AJUDÁ-LO?

O seu filho foi diagnosticado com diabetes. A partir daí tudo foi muito rápido. Mal deu tempo de assimilar o diagnóstico. Foi preciso entender, agir, resolver o imediato.

Mas passados esses primeiros momentos surge a pergunta: o que eu posso fazer? -Ou melhor: o que mais eu posso fazer?

MEU-FILHO-TEM-DIABETES

De repente é como se vocês estivessem embarcando numa viagem para o alto-mar ou para outro planeta onde tudo o que você sabia para viver em terra firme não servisse mais…

Provavelmente você já ouviu falar do Amir Klink, o navegador que há 35 anos fez a travessia solitária do Atlântico -3.700 milhas em 100 dias- num barco a remos, da África ao Brasil.

“Para ir de um ponto ao outro lado do planeta você nunca navega exatamente em direção àquele ponto, você navega na melhor direção possível…você nunca vai exatamente em cima do seu ponto de destino, você vai consertando os desvios – é um processo muito interessante – e no final você chega naquele ponto” – Amir Klink sobre como funciona o processo para alcançar o seu objetivo.

É mais ou menos isso também com a diabetes, é preciso ir fazendo ajustes, consertando os desvios.

Além de construir um barco que fosse adequado ao seu tamanho e as características da jornada o Amir Klink precisou pensar em outros detalhes como dormir, o que fazer se ficasse doente em alto mar, como fazer suas necessidades, como ter uma comida nutritiva e variada que fosse fácil de preparar, como armazenar comida e água para 100 dias num pequeno barco a remos, entre outros detalhes…

Tudo isso exigiu um longo estudo, porque era a primeira vez que seria feito, não havia um modelo a seguir.

O que mais impressiona nos relatos do Amir Klink sobre essa viagem e as outras que se seguiram – para a Antártida e ao redor do mundo – é a importância de saber fazer um bom planejamento. E isso leva tempo.

No caso da diabetes também é assim. Embora o tratamento comece assim que é feito o diagnóstico, é preciso aprender como o organismo funciona com a falta de insulina.

Colocamos algumas dicas aqui, para começar…

Lembrando sempre que – você e seu filho não vão conseguir reter de uma hora para a outra toda a informação nova sobre a diabetes- mas que aos poucos a sensação de estar em “alto-mar” vai desaparecer.

1-ALIMENTAÇÃO

  • Tenha horários certos para a alimentação e lanches.
  • Não deixe passar nenhuma refeição.
  • Acostume-se a prestar a atenção no que a criança come, aos poucos vocês vão descobrir que alguns alimentos fazem subir mais a glicose, no sangue, que outros.
  • Embora não haja proibições na alimentação é preciso ter alguns cuidados para que a glicose no sangue não suba muito rápido.
  • É importante que as bebidas doces sejam adoçadas sempre com adoçante. Porque as bebidas com açúcar elevam muito rápido a glicose no sangue.

Veja mais informações sobre a alimentação ALIMENTAÇÃO E O DIABETES

2-TESTES DE GLICEMIA

Faça os testes de glicemia conforme a orientação médica, geralmente, eles terão que ser feitos muitas vezes por dia. A razão disso é que os níveis de glicose no sangue estão sempre a mudar dependendo do que se come, da atividade física entre outros motivos e não existe outra forma de saber como ela está se não forem feitos os testes.

Procure encarar isso como uma situação natural. Se você ficar com dó da criança ou com medo passará esse sentimento para ela dificultando os testes que, no final das contas, são para o bem dela.

Existe um aparelho chamado Sistema de Monitorização Flash de Glicose Freestyle Libre, aprovado na Europa e no Brasil, que permite a verificação da glicose através de um sensor introduzido abaixo da pele.

Veja mais sobre o SISTEMA FLASH PARA VERIFICAÇÃO DA GLICEMIA

Veja mais informações sobre os testes de glicemia TESTE DE GLICEMIA CAPILAR

3-APLICAÇÕES DE INSULINA

Aplique a insulina conforme a orientação médica. Provavelmente serão mais de duas vezes ao dia. Da mesma forma que com os testes é importante pensar que essa é a melhor solução disponível no momento – em alguns casos a insulina pode ser administrada com um aparelho chamado bomba de infusão contínua ou sistema de infusão contínua de insulina.

Procure ficar tranquilo e esse sentimento passará para a criança.

Veja mais sobre a aplicação da insulina e bomba de infusão contínua   COMO APLICAR INSULINA – GUIA COMPLETO

4-EXERCÍCIOS

Os exercícios físicos ajudam no melhor aproveitamento da insulina e são super importantes para o bom controle da diabetes. A criança e o jovem podem fazer, praticamente, qualquer tipo de atividade física, mas alguns cuidados devem ser tomados.

Veja mais em  ATIVIDADES FÍSICAS E O DIABETES

Veja mais informações em VOLTANDO PARA A ESCOLA APÓS O DIAGNÓSTICO DE DIABETES

5- ENTENDER E SABER O QUE FAZER NOS CASOS DE HIPOGLICEMIA E HIPERGLICEMIA

A hipoglicemia é a situação em que há uma queda da glicose no sangue. Não é uma situação que ocorre frequentemente, mas quando isso acontece é importante agir de forma rápida.

Veja mais informações em A HIPOGLICEMIA

A hiperglicemia é o contrário, é a situação em que há uma elevação da glicose no sangue. É o momento do “ajuste da rota”. É quando pode ser necessária uma dose extra de insulina ou, talvez, uma mudança na alimentação ou das atividades físicas.

Veja mais informações em A HIPERGLICEMIA

6- APRENDER APRENDER APRENDER

Como diz o ditado popular ” O conhecimento não ocupa espaço” e no caso da diabetes procurar saber mais sobre o problema, como ela afeta o organismo e quais são os recursos para tratá-la vão ajudá-lo a enfrentar melhor a situação.

Anote suas dúvidas e converse com os profissionais de saúde sobre elas. Mas tenha calma…não espere assimilar todas as informações de uma vez só, gradativamente com a prática e a experiência do dia a dia tudo vai se tornando mais fácil, acredite!

7- TODA A AJUDA É BEM-VINDA!

  • Procure as associações de apoio às pessoas com diabetes da sua região.
  • Verifique quais os recursos públicos disponíveis para o atendimento de seu filho.
  • Entre em contato o mais breve possível com a direção e professores da escola para informá-los da nova situação e discutir com eles como deverá ser a rotina da criança. Veja mais em VOLTANDO PARA A ESCOLA APÓS O DIAGNÓSTICO DE DIABETES
  • Faça o mesmo em relação às outras atividades que a criança frequenta.
  • A família também pode precisar de ajuda. No início serão muitas mudanças que geram inseguranças e estresse não só aos pais, mas também aos irmãos. Procure fazer contato com outros pais que têm filhos com diabetes, troquem experiências. Psicólogos ou grupos de terapia também pode ser necessários em algumas situações. Ninguém precisa ser super-herói, existem momentos que precisamos de ajuda. Pense nisso.

ACAMPAMENTOS DE FÉRIAS

Os acampamentos de férias para crianças e jovens com diabetes são uma experiência transformadora.

Nesses acampamentos, realizados por associações ou por centros de atendimentos à diabéticos, as criança ou os jovens têm a oportunidade de passar alguns dias se divertindo ao lado de companheiros que enfrentam os mesmos problemas que elas.

Durante as atividades – que são muitas- elas vão aprender a fazer os testes, a entender quando e (provavelmente) porque a glicose baixou ou subiu e o que se deve fazer nessa hora. Autoaplicar a insulina e como fazer a automonitorização da glicose.

De uma forma descontraída vão  aprender a ser autossuficientes com o acompanhamento de monitores, professores de educação física, enfermeiros, nutricionistas e médicos especializados.

Veja abaixo alguns links para contato:

Brasil

https://www.sympla.com.br/pre-inscricao-40-acampamento-adj-unifesp__482432

Portugal

Campos de férias

http://www.ajdp.org/pt/pt-iniciativas-eventos/pt-colonias-de-ferias

 


Nessa nova jornada da convivência com a diabetes os pais e os filhos estarão sempre aprendendo e corrigindo o que for preciso. Os médicos e outros profissionais da saúde também terão que acompanhar os resultados do tratamento e fazer os ajustes devidos para que se atinja o objetivo de manter equilibrada a glicose no sangue. 

Para começar é importante saber que uma criança ou jovem com diabetes não está doente, no sentido de não poder brincar, sair com os amigos, estudar…

O que acontece é que dá mais trabalho para uma pessoa com diabetes se manter em equilíbrio, é preciso um maior planejamento. É como a viagem em condições diferentes, em alto mar.

Como diz o navegador ” Eu tenho muito medo do mar, por isso eu faço barcos bem feitos, porque eu não quero me afogar…”

Sentir medo faz parte. Mas ele tem que ser o motor de busca para soluções mais sábias, que evitem o perigo. Já sentir pânico é ruim, atrapalha o raciocínio e faz com que tomemos decisões erradas

Encontramos esse vídeo* na internet.  Explica para a criança o que é ter diabetes. Não é em português, mas tem legendas. 

* Vídeo partilhado do Diabetes UK Careline e legendado por http://www.sedentario.org

 

E aqui, compartilhamos mais dois vídeos*, que explicam de uma forma simples o que acontece quando se tem diabetes. O primeiro, para a criança e o segundo para o jovem.

 

*Vídeos partilhados do site da Direção Geral de Saúde de Portugal

O link abaixo não é sobre a diabetes, é sobre o Amir Klink. Vale a pena ver também!

http://www.amyrklink.com.br/

Mais informações

O DIABETES TIPO 1 – Crianças, Adolescentes e Jovens com Diabetes

 

 

 

 

 

 

 

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