Você não deve focar em perder peso

PERDER-PESO-diabetes

Teresa

Ela sempre foi uma menina com o peso normal para a idade. Comia um pouco de tudo, sem exagero, a avó até brincava dizendo que ela parecia um passarinho de tão delicadinha que era para comer!

Por volta dos 10 anos entrou na puberdade. Primeiro um diagnóstico de depressão, mas não era só isso. Os profissionais da área não conseguiam encontrar um diagnóstico para o que Teresa tinha.

Começou a ir mal na escola. Seguiram-se psicólogos, médicos e tratamentos psiquiátricos.

Teresa ganhou mais de 10 kilos no começo da adolescência, quando a aparência é quase tudo. Ela que, sempre tinha sido tão autoconfiante, passou a se detestar.

Começou a desenvolver hábitos alimentares compulsivos, a vontade exagerada de comer doces e refrigerantes…litros de coca-cola…e, com isso, ganhou mais peso…aí passou a vomitar, escondido, o que comia.

A infelicidade era imensa, impossível de se explicar. O tempo passava, os remédios eram trocados, acrescentados, mas sem nenhuma melhora aparente.

A história é longa e triste, mas vou tentar resumir aqui, porque é a ideia o que interessa.

Já com quase 80 kilos, zero de autoestima, quase 15 anos desde o seu primeiro diagnóstico ela começou a se sentir um pouco melhor, com alguma capacidade de reagir, mudar…(também não vou entrar nos detalhes das prováveis causas da melhora).

Ela acha que foi  preciso se aceitar, primeiro. Sentir que  tudo o que aconteceu faz parte da sua história.

Conforme ela foi se sentindo melhor começou a entender quais eram os hábitos que adquiriu, nesse tempo conturbado, que a fizeram chegar onde está. Me disse que precisa fazer mais atividades físicas. Outro problema é o vício de beber bebidas doces durante o dia todo e “beliscar” coisas, principalmente na frente do computador.

Ela gostaria de perder peso, porque vai se sentir melhor fisicamente, porque é melhor para a saúde, porque vai poder fazer algumas coisas que planeja…e essas são as suas motivações.

Ela quer ajuda. Algo que facilite o abandono dos hábitos ruins de alimentação nessa transição para um novo estilo de vida…

Por isso, vai começar a tomar uma medicação, prescrita pelo endocrinologista, para ajudá-la nos primeiros tempos, até se acostumar com os novos hábitos de alimentação e mudança de vida.

Paulo

Paulo foi um adolescente e jovem magrelo. Longilíneo achava que nunca teria problemas com o peso.

Com quase 30 anos casou e teve 2 filhos. O tempo sempre era curto, muito trabalho, crianças pequenas, muito tempo no trânsito. Chegava no final do dia cansado, sem muita disposição para nada.

Aos poucos comer e beber foi se tornando um prazer especial. Uma espécie de prêmio por todo o estresse e desgaste do dia a dia. Em casa e aos fins de semana, com os amigos e família, os momentos de relax sempre envolviam comida e bebida.

Um dia, durante exames de rotina no trabalho, Paulo descobriu que tinha sua taxa de glicemia alta. Tinha 47 anos e pesava 95 kilos.

Foi orientado procurar o endocrinologista que o aconselhou perder alguns kilos. Um esporte poderia ajudar…

Resolveu então pedalar, inicialmente aos fins de semana, mas foi se apaixonando pelo esporte. De repente não era mais obrigação….

Ele me contou que, como queria ter mais disposição e capacidade para pedalar (- Você já viu um ciclista gordo?) começou a repensar seus hábitos alimentares.

Entendeu que gostava de comer. Aliás, gostava de se sentir de “barriga cheia”, tipo satisfeito mesmo, esse negócio de passar fome não estava com nada.

Com a ajuda de um nutricionista e umas dicas sobre alguns alimentos, foi substituindo aos poucos seus hábitos alimentares por outros mais saudáveis. Dois anos depois, perdeu 15 kilos. Se sente mais feliz, com mais energia e continua pedalando!

Conheço muitas estórias sobre pessoas que querem perder peso.

Escolhi essas duas, porque essas pessoas, com estórias de vida diferentes vão conseguir perder peso e mantê-lo, pelo menos as chances são grandes!

Porque a decisão delas tem a ver com a vontade de mudar de vida, com uma motivação especial que vai ter como consequência a perda de peso.

Há um tempo atrás eu diria para uma pessoa com diabetes ou hipertensão que seria altamente recomendado que ela tentasse perder peso.

Como você pode checar nos nossos  posts   Como tratar o diabetes  e Como prevenir o diabetes tipo 2 está comprovado que se o indivíduo perder algum peso, cerca de  5% a 10%, o seu controle da diabetes irá melhorar. E é verdade!

Mas hoje só quero te dizer uma coisa: tente viver melhor. Mude de vida. Não foque em perder peso.

Pare de pensar no seu peso e pense na sua vida: o que não vai bem?

Pode ser que um psicólogo ou grupos de terapia o ajudem nesse entendimento.

Mas existem outras formas de chegar lá. Por exemplo, a meditação (pesquise sobre isso, existem muitas formas de meditar…). A prática de alguma atividade, esporte, caminhadas, trabalhos manuais, jardinagem…uma atividade que você goste, que você sonhe fazer há muito tempo, um momento que seja só seu.

Comece por aí, se gostando mais e avaliando com cuidado e honestamente, o que vai mal.  Às vezes estamos tão acostumados à uma rotina, a fazer as coisas sempre do mesmo jeito que não conseguimos enxergar que as mudanças são possíveis.

É como aquele móvel mal colocado na sala em que todas as vezes em que você vai abrir a janela dá uma “topada” com ele. Será que ele precisa ficar mesmo lá? Será que ele é realmente útil ou bonito que valha a pena levar a “topada”?

Pode ser que seja possível fazer alguma mudança em hábitos, rotinas e modo de viver. Mas tudo começa com a forma que olhamos para o problema. Essa é a primeira mudança importante.

Quando você se sentir melhor o resto vem… É um processo que não tem atalhos.

Seria bom que não fosse assim, que houvessem fórmulas mágicas. Como aquelas que encontramos aqui na internet… também fiz umas pesquisas 🙂

5 dicas fantásticas para emagrecer/Como perder 10 kilos em uma semana/ Como emagrecer dormindo” e por aí vai… ( a cada 44 segundos, cerca de 200 milhões de pessoas, procuram um jeito de perder peso rápido no google).

O atalho pode ser usado, mas depois. Quando você resolver que o móvel pode sair da sala e ir para outro cômodo da casa, alguém pode dar uma mãozinha para transportá-lo para lá.

Nessa fase, o endocrinologista pode ajudar com a prescrição de alguns medicamentos de uso temporário (veja bem… ), o nutricionista com dicas sobre uma alimentação que você goste e seja mais saudável, um preparador físico, com um planejamento de atividades físicas que você goste e te ajude com os seu objetivos.

As pessoas que acreditam que têm controle sobre as influências do ambiente e que são capazes de controlar os estímulos externos tendem a manter melhor e por mais tempo a perda de peso em comparação com aquelas que acreditam que sua vida é regulada por situações ou algo fora de seu controle”, diz o estudo Medweight.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28417575

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4777230/

 

 

 

 

 

 

 

 

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