EXERCÍCIOS AERÓBICOS CONTRA O ALZHEIMER – O QUE ISSO TEM A VER COM O DIABETES?

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A doença de Alzheimer é uma doença que leva a perda progressiva das funções do sistema nervoso.  A pessoa com Alzheimer tem alterações nas funções cognitivas, como por exemplo, na memória, na linguagem, no planejamento, nas habilidades visuais-espaciais. Também pode ter o seu comportamento afetado apresentando  sintomas como apatia, agressividade, delírios entre outros.

Um grande fator de risco para o desenvolvimento de Alzheimer é ter diabetes tipo 2 ou o diagnóstico de pré-diabetes. A Dra. Laura D. Baker, Ph. D., dos Estados Unidos, tem ocupado grande parte de sua carreira tentando descobrir como reduzir esse risco. Porém, segundo mostram suas pesquisas mais recentes, uma das respostas para esses questionamentos pode estar relacionada à prática de exercícios físicos aeróbicos.

Tudo começou há cerca de 20 anos. A Dra. Baker estava, então, no início de sua carreira como pesquisadora na Washington University em St. Louis, Estados Unidos. Ela e a sua orientadora Dra. Suzanne Craft, estudavam a influência das bebidas com glicose na melhora da memória e constataram que as alterações no metabolismo, mesmo por um curto período de tempo, poderiam melhorar a cognição.

O entusiasmo  com os resultados iniciais e, com o trabalho com os pacientes e suas famílias, estimularam essas duas pesquisadoras a continuarem suas pesquisas à procura de respostas.

Com o apoio da Associação Americana de Diabetes (ADA), a Dra. Baker tem desenvolvido estudos sobre o efeito dos exercícios aeróbicos na cognição das pessoas com pré-diabetes, isto é, em pessoas com alto risco para desenvolver Alzheimer. No seu primeiro projeto, iniciado em 2004, ela conseguiu demonstrar que alterações na sensibilidade à insulina levam a alterações da cognição.

Em 2011 a Dra. Baker iniciou outra pesquisa, desta vez com pessoas que além de terem o diagnóstico de pré-diabetes já possuíam uma moderada diminuição da cognição. Ou seja, dois fatores de impacto para o aumento do risco  para o desenvolvimento do Alzheimer.

Sendo assim, foram selecionados para esse estudo adultos idosos, pré-diabéticos, com uma redução moderada da cognição e que se consideravam sedentários.

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Os participantes foram distribuídos em dois grupos ao acaso. Enquanto um grupo foi submetido à prática supervisionada de exercícios aeróbicos de alta intensidade, o outro realizou alongamentos e exercícios de equilíbrio de baixa intensidade e com pouca supervisão.

Os dois grupos reuniram-se no mesmo ambiente, para a prática das atividades, durante 45 a 60 minutos, quatro vezes na semana, durante seis meses.

Ao final do estudo foi possível comprovar uma melhora considerável na cognição dos participantes que pertenciam ao grupo que desenvolveu as atividades aeróbicas de alta intensidade.

Os bons resultados foram observados não só em relação aos testes cognitivos e às atividades de organização e planejamento como também tiveram uma redução nos níveis da proteína Tau no  líquido cefalorraquidiano (líquor, líquido cerebroespinhal). Essa proteína é encontrada em níveis elevados nas pessoas mais idosas com Alzheimer.

Mas o mais interessante foi o aumento do fluxo sanguíneo em regiões do cérebro consideradas importantes para a memória e a cognição e que geralmente apresentam um fluxo sanguíneo diminuído em pessoas mais velhas e com Alzheimer em uma fase mais adiantada.

Portanto, é possível que a prática rotineira de exercícios aeróbicos possa “atrasar o relógio biológico” e reduzir o risco individual para o Alzheimer.

Devido ao sucesso desse estudo a Dra. Baker, agora com o apoio do Instituto Nacional do Envelhecimento dos EUA, iniciou uma nova pesquisa onde acompanhará grupos de pessoas distribuídos por vários locais dos Estados Unidos que realizarão atividades físicas, durante 18 meses com o objetivo de determinar qual é a dose ou a quantidade de exercício ideal para se conseguir maior benefício.

O ponto de partida desse trabalho é mostrar que qualquer atividade física é melhor do que nenhuma em relação a conseguir melhoras na cognição e, mais: nunca é tarde demais para começar! É o que comprova o estudo, onde um dos melhores resultados foi conseguido pelo participante mais velho (89 anos).

Segundo a Associação de Diabetes Americana, os exercícios agem como a medicação no cérebro, fornecendo a ele o que ele necessita. Então, seja qual for a quantidade atividade física praticada, ela beneficiará não só o corpo como também o cérebro, diz a Dra. Baker.

http://www.diabetes.org/research-and-practice/we-are-research-leaders/recent-advances/aerobic-exercise-improves.html

 

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